Direto de Brasília

ENQUANTO OS REPRESENTANTES DO POVO OLHAM PARA SEUS UMBIGOS, UMA BOFETADA AFRONTA NOSSAS ESPERANÇAS.

Meus caros leitores, já presenciei momentos angustiantes, dramáticos da história brasileira. A luta pelo retorno do Brasil à Democracia, a volta dos exilados, Diretas Já, Colégio Eleitoral, o Comício de Um Milhão no Rio e que o presidente Figueiredo, na minha frente e de outros jornalistas, declarou que se estivesse no Brasil, seria um milhão e um. Estávamos em Madri na Espanha. Vivi a eleição no Colégio Eleitoral, a vitória e a agonia de Tancredo. Os Caras Pintadas que derrubaram Collor, a elaboração  Constituição Cidadã, hoje esfarrapada e desrespeitada, o Mensalão, Petrolão, dinheiro no bolso, na calcinha, nas cuecas, nas malas. O roubo de merenda escolar, de remédios e o mercado de próteses. Agora presenciamos aqui a condenação de um presidente da República que já representou a “esperança” e virou chefe de uma imensa quadrilha. Temos ocorrências como salários e mordomias de juízes e magistrados. Bandidos aliados a julgadores. Temos aqui uma refugiada política de um regime que foi e é defendido por inconseqüentes políticos brasileiros. Assistimos manobras que são verdadeiras malandragens, como a não prisão de candidatos oito meses antes das eleições, a contribuição oculta e finalmente o Fundão e o Distritão. Sem contar que ainda assistimos agoniados a ação de assassinos profissionais de seitas extremistas esfaqueando e usando de todos os instrumentos para matarem inocentes. Em nome de Alá. Que este nos proteja. Infelizmente, não vi tudo. Nada mais me estarrece e espanta, quando não me invade uma sensação de desânimo. Que só não me abate em razão de minha fé inabalável de que “isto também vai passar”. Mas a fotografia do rosto ensangüentado de uma professora me leva ao fundo do poço. A professora Marcia Friggi foi agredida com socos por um aluno de 15 anos na escola onde leciona no município de Indaial, em Santa Catarina, nesta segunda-feira. Conforme o relato, a educadora pediu que o adolescente colocasse o livro utilizado na aula sobre a mesa. Com a negativa do rapaz e uma agressão verbal como resposta, Marcia pediu que ele se retirasse da sala. A agressão física teria ocorrido minutos depois, quando os dois foram até a sala da direção. Foi na sala da direção. Não pergunto “QUEM É, MAS O QUÊ É ESTE JOVEM”? Não ouvi nenhum representante dos direitos humanos se manifestar em defesa desta professora. Escola, professores e a educação, é onde deposito minhas esperanças de um mundo melhor. Não quero e não vou acreditar que estejamos perdendo esta luta. Que isto também vai passar. É o que nos resta acreditar e ter fé. Direto de Brasília, José Woitechumas. 

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